19.7.16

As festas e as crianças



Nunca gostei muito de levar a minha pequerrucha para os nossos jantares ou festas de amigos. Sempre achei que eram locais muito barulhentos, com muita gente e optei quase sempre por deixá-la com os avós e eu ia para casa mais cedo.
Depois dela ter feito um ano e ter começado a andar, comecei a levá-la, nem que fosse só um bocadinho. Queria que ela convivesse com os nossos amigos, conhecesse os seus filhos e começasse a entender por onde andamos quando não estamos em casa. Acho que essa parte social é muito importante e deve ser estimulada. Ela começou a ir a essas reuniões ou festas de amigos e eu comecei a detestá-las. Acabou-se o sossego! 
Ela pede-me para ir a festas todos os dias.(A malandra gosta de se divertir e não faço ideia a quem possa sair!) Escolho-lhe a roupa com todo o cuidado, penteio-lhe o cabelo, aplico-lhe um creme na cara, às vezes, uma água perfumada e uma pulseirinha da Tous... Nos primeiros 10 minutos já se sujou, despenteou, arrancou o lacinho do cabelo... E agora até mete o dedo no nariz! Mas isto nem é o pior! Eu não consigo manter uma conversa com ninguém porque tenho que andar, literalmente, a correr atrás dela. Quando as festas são em casa, nem sempre os locais estão preparados para terroristas como a minha. Ela simplesmente pega em tudo o que está ao seu alcance. Acho que nunca partiu nada, mas já vi isso a acontecer com outra criança e a despesa não deve ter sido pequena. Parece que só querem tocar onde não devem, ir para onde não podem. Depois, há a questão do fácil acesso a comida pouco recomendável. A minha filha não larga as batatas fritas. Também não sei a quem se sai nisto! Resumindo, não posso relaxar por 10 segundos que seja porque alguma coisa vai acontecer. Já deixei de usar saltos porque é arrasador para os meus pés. 
Na última festa a que fomos, foi explorar uma casa em ruínas ao lado da igreja. Na igreja, escapou-se para a zona do altar e insistia que queria soprar às velas, apanhou o cesto do ofertório com moedas, e foi tocar no sininho. Na casa onde se deu a festa, foi o fascínio pela piscina e fontes da casa, todos os brinquedos, chupetas e outros acessórios de crianças, novamente a água onde quer que ela estivesse, fosse em copos das outras pessoas, garrafas ou reservatórios, arrancou comida das mesas com a mão... Depois, pediu-me para tirar os sapatos e fartou-se de correr descalça. Já estava suja e molhada, porque não descalça? Senti que corri uma maratona. Ontem, por acaso, ela estava sozinha comigo, mas habitualmente o pai também está. É o que é que o pai está a fazer? O pai está a conviver com os restantes convidados, a cumprimentar toda a gente, a passar um bom momento e a comer. Sim, eu raramente como. E eu sou a desgrenhada, com cara de zangada, que anda sempre a correr de um lado para o outro atrás da filha.
Acho imensa graça às fotos que vejo de crianças em festas. Eu não consigo tirar-lhe uma foto que seja, nem sequer consigo chegar ao telemóvel. Tenho que admitir que festas com crianças pequenas não são para os pais. Espero que daqui a um ano as coisas mudem um pouco e já possamos aproveitar as duas. Sim, porque eu vejo outras mães a conversarem e os seus filhos lá se entretêm uns com os outros. Mas, já são mais velhinhos. Outra coisa que me preocupa são, precisamente, os amiguinhos mais velhos. Ela tenta aproximar-se e aí pode haver quedas ou empurrões porque as brincadeiras são diferentes, como é óbvio. 
Isto serve de lembrete também para mim. Na próxima festa que der, em vez de investir tanto em comida, bebidas ou decoração, é preferível contratar alguém que tome conta das crianças para que os pais possam aproveitar também um pouco. 

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