30.12.15

Natal 2015

Tinha tantas expectativas com este Natal e tudo foi falhando. 
Com 20 meses, esperava que a Maria Victória já se pudesse entusiasmar com o Natal. No ano passado, com 8 meses, tudo lhe foi indiferente, apesar de toda a decoração e sessão fotográfica natalícia.
Este ano, fomos adiando a árvore de Natal porque já sabíamos que não ia durar 10 minutos em pé. Ainda assim, no ano passado, veio abaixo graças aos nossos filhotes felinos. Resolvemos, então, fazer a árvore de Natal no escritório. É uma área onde passamos menos tempo e a árvore ficava menos exposta a ataques dos gatos e da Maria Victória. Enquanto preparava a filhota para dormir, o pai decorou a árvore com tudo o que havia em casa. Escusado será dizer que, no dia seguinte, tirei estas fitas da nossa infância de que ele tanto gosta. Mas o que fez a Maria Victória saltar de alegria foram as Bolas. Quais luzes, quais quê! E era um castigo para a afastar das bolas. Arrancou uma série delas, tal como era esperado. Na zona inferior da casa, fizemos uma pequena árvore com presépio e a vítima foi o Menino Jesus. Desde que foi apresentado ao Jesus em Agosto, na minha aldeia, que ficou fascinada. Consegue identificar imagens religiosas e chama "Jesus". Em Setembro, estávamos numa esplanada e passou uma procissão e lá foi ela a correr atrás do Jesus. E, pronto, cá em casa o Jesus não tem descanso. Já lhe disse que é um bebé e que está a dormir, mas ela faz questão de ir lá pegar-lhe. Já partiu um presépio dos avós. Não sei com idade é que as crianças conseguem apreciar a beleza das decorações de Natal sem lhes tocarem, mas anseio por esse dia. 
Comprei roupa especial para esta quadra. A tia ofereceu-lhe um vestido muito bonito. Pensei em fazer uma sessão fotográfica, como no ano passado. O pai foi logo avisando que não queria nada disso, que não gosta dessas coisas. Fui adiando, não marquei nada. Entretanto, ela ficou doente com uma constipação e eu fiquei cheia de trabalho. Não há registos de jeito deste Natal. E fico furiosa comigo quando penso nisso. O melhor que lhe posso deixar são estas memórias e não tenho nada deste Natal.
Muitas vezes tenho pouco tempo. O que opto por fazer é usar esse pouco tempo e passá-lo com a minha filha. Nessas alturas, não há facebook, nem blog, nem fotos. Acho que esse vínculo é até mais importante do que o resto. Prefiro assim. 
Este Natal foi assim. Sem registos, com ela. 
Passámos a noite da Consoada com a família do Pai. Foi muito bom ter uma criança a animar a noite. Foi ela que distribuiu os presentes e até dizia "Obrigada" quando os entregava. Os presentes dela foram recebidos em dias diferentes. Nessa noite, recebeu um livro, uma almofada fofa, mais um brinquedo e roupinha gira. Em casa, tínhamos mais roupa e mais brinquedos que abrimos na manhã de Natal. No dia de Natal fomos a casa da minha mãe e do meu pai. Ainda havia mais alguns presentes reservados. Notei que tinha mais vontade em entregar presentes do que em receber e isso deixa-me muito feliz. Não queria criar a minha filha no consumismo e na futilidade. Receio que seja muito difícil por ser a única criança na família. Por muito que eu tente controlar estas coisas, como posso eu evitar que outros membros da família a encham de presentes? Apesar de eu não querer que ela acumule bens materiais, posso retirar esse gosto a quem lhe quer bem? 


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