4.7.16

Não sou blogger

O meu blogue nasceu no dia em que fiz um teste de gravidez positivo. Não foi algo que tivesse programado, não foi um projecto pensado, não foi um convite. Foi absolutamente espontâneo. Precisava de desabafar o que estava a sentir e, ainda assim, acho que não consegui. Abri o blogue e comecei a escrever. Mas não há palavras suficientes que possam traduzir o carrossel de emoções que senti. E, sim, foram sensações muito opostas. Apesar de ser uma gravidez planeada, consegui sentir desespero, alegria, pânico, felicidade, medo...
Ora, eu digo que não sou blogger porque escrevo quando quero e quando posso. Durante a gravidez, conseguia escrever regularmente porque tinha mesmo vontade e tempo para falar sobre o que me ia acontecendo. Depois da filhota nascer, acabou-se a disponibilidade e o blogue não estava no top das prioridades. Precisamente porque não sou blogger. Se fosse blogger que remédio tinha eu senão vir para aqui encher chouriços. O público espera novidades. No nosso caso, estamos à vontade. Ninguém nos conhece e não me parece que alguém nos queira conhecer muito. Na verdade, ao fim de quase 3 anos de blogue só fui reconhecida duas vezes. Uma vez foi numa clínica, enquanto esperávamos pela consulta de pediatria da Maria Victória, tinha ela 1 ano. Chegou um carrinho e lá foi ela a correr falar com a bebé. Diz a mãe: "É a Maria Victória!" E eu, meio desconfiada e, perguntei de onde a conhecia. Era do blogue. A outra vez foi pouco depois, numa esplanada aqui perto de casa. A Maria Victória foi meter-se com duas jovens que estavam noutra mesa. Uma delas perguntou se era a Maria Victória. E disse que seguia o blogue. Achei estranho pela faixa etária. Eu com aquela idade não tinha qualquer interesse em gravidezes e crianças. Fora estas duas situações, nunca o meu blogue ou a minha filha me foram mencionados. Muito menos eu. Porque não sou uma blogger. Também ajuda o facto de vivermos em Trás-os-Montes. Já fomos convidadas para ir eventos, já nos ofereceram experiências, mas não em Vila Real. Eu gostava bastante de aceitar, mas não vou deixar o trabalho e mudar as rotinas da minha filha para ir a Lisboa. Outro aspecto que me afasta das bloggers tradicionais (e, felizmente, também isso está a mudar) é o facto de sermos pessoas normais, com problemas que toda a gente tem. Deve ser por aí que as pessoas mais se ligam a nós. Não pelo exemplo, mas pela proximidade. Temos as mesmas dúvidas, as mesmas ansiedades, provavelmente os mesmos objectivos diários: conseguir equilibrar a profissão, os filhos, a casa, a família... Acredito que as outras bloggers também tenham estes problemas, mas a vida delas é outra. Só pode! Assim que chega o calor é vê-las e às crianças de hotel em hotel, todos os dias com roupas novas, brancas e imaculadas. Também acredito que deve ser uma canseira andar à mercê de marcas e publicidade. A independência paga-se caro e devem ser bem pagas para isso. Não tenho absolutamente nada contra. Se eu tivesse uma marca também recorreria a bloggers devido à imensa visibilidade que têm. Mostram-nos as suas casas sempre impecáveis, quartos de criança de sonho, sempre com os brinquedos mais lindos... Por isso é que não sou blogger. Tenho a casa sempre em modo caos. Está cheia de tralha, sempre desarrumada, muito desarrumada e, muitas vezes, suja. Tenho 2 gatos e uma filha de 2 anos que se encarregam de o fazer. Ok, eu também ajudo porque organização não é comigo. Claro já cortei fotos porque estava qualquer coisa ao fundo que não devia estar. Porque não sou blogger. As bloggers têm fotógrafos profissionais, os backgrounds mais apropriados, onde tudo é pensado, as roupas e acessórios com as últimas tendências. É a apologia do belo. Claro que é preferível ir ao instagram ver fotos bonitas em vez de réplicas do que temos em casa. Ninguém vai postar uma foto das sobras de panados com arroz de feijão. Todos nós gostamos de ver aquela salada colorida ou prato de sushi. 
Por tudo isto não sou blogger. Feliz ou infelizmente. Gosto de escrever e é isso que vou continuar a fazer. Vou continuar a arrumar o sofa antes de tirar uma foto, vou continuar a falar do que me preocupa na maternidade e partilhar o que me apaixona. 

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