26.12.19

É Natal

Ainda não sei se gosto ou não do Natal. É certo que, desde que a Maria Victória nasceu, tudo é mais mágico e especial. A morte do meu avô, o divórcio dos meus pais e o meu casamento, tudo no período de 4 anos, vieram alterar a ordem estabelecida. Nada mais foi como era. Então, há sempre um sentimento agridoce, muita saudade, sempre alguém a faltar na mesa, apesar de toda a fantasia que faço questão de criar para a minha filha. Acho que hoje em dia, fruto do marketing comercial, começa-se a preparar o Natal muito cedo. Este ano, fiz a árvore e as decorações ainda em Novembro. Ainda me lembro de fazer no dia 1 de Dezembro e o meu marido já me chateava a dizer que era cedo... Tive que ceder à pressão porque agora as lojas já estão decoradas logo depois do Halloween. Cometi um grande erro em relação aos presentes de Natal. Fomos colocando debaixo da árvore, mas a Maria Victória ia começando a ter expectativas diárias. Todos os dias ia ver se havia alguma coisa nova, e o Natal já não é Menino Jesus e Pai Natal, mas sim presentes. Apesar de ter pedido a todos contenção, ela teve imensos presentes e foi uma excitação a abri-los. Não posso impedir que os nossos amigos e familiares lhe dêem presentes, claro. É sinal que gostam dela e de nós, mas foi exagerado, mais uma vez. No próximo ano, os presentes vão ficar escondidos até ao dia 24 de Dezembro e vou fazer uma seleção. Roupa, calçado e acessórios podem ser abertos, mas só vai poder abrir alguns brinquedos e jogos. Os restantes vão sendo dados nas semanas seguintes como forma de recompensa por ser boa menina. De um dia para o outro, tem várias bonecas novas e jogos e nem sabe ao que dar atenção, não dando atenção a nada. 

Para além da falta que várias pessoas me fazem, ainda tenho que lidar com este exagero de presentes que dá às nossas crianças a falsa sensação de que podem ter tudo. Isto não é Natal! Isto não pode ser o Natal! Recebi em minha casa 14 pessoas, foi uma ceia muito bonita e agradável e adorei partilhar a mesa com gente de quem eu gosto e que gosta de mim. Mesmo faltando gente, é esse Natal que quero recordar. Assim como a partilha de uma refeição maravilhosa no dia de Natal na casa dos nossos tios no Douro. É isto que me sabe bem... não são os presentes. Não sou hipócrita, gosto de receber presentes, gosto de saber que alguém pensou em mim. Não gosto do stress associado às compras dos presentes de Natal, da falta de tempo para isso, da falta de dinheiro e da obrigação em comprar. Isso não é Natal!

Amanhã entrego a minha gatinha aos cuidados dos profissionais do Hospital Veterinário para ser operada a um tumor mamário. Só consigo pensar nela, como vai estar assustada e como me faz falta... É clichê, não é? Mas o melhor que podemos desejar uns aos outros é mesmo saúde... https://drive.google.com/uc?export=view&id=1BKSq3_6ekOqNcjijCe1uxXGkoHpXxyXShttps://drive.google.com/uc?export=view&id=1Yrr5SbmljI00wSdDHqN0LNgGoXKvOEQw

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