16.1.20

Tonicha

Está a ser terrível dar a medicação à Tonicha. Assim que me vê aproximar com comprimidos na mão ou com a seringa, começa logo a babar-se imenso. Sei que ela não tem muito tempo de vida e não vamos torturá-la. Está a tomar só o remédio para os rins, que é dado com uma seringa. E, de 48 em 48 horas, toma 1/4 de ansiolítico para dar apetite. Para além disto, está a fazer soro subcutâneo 3 vezes por semana no hospital. Só queria que ela tivesse paz. E eu também.
Sempre que vou ao hospital veterinário com ela, choro. Oiço a verdade difícil e é impossível não me emocionar. Na segunda-feira encontrei lá uma senhora fantástica. Viu-me cabisbaixa e perguntou quem tinha la. Expliquei a situação e as lágrimas caíram. Quis contar-me que quando teve o seu primeiro gatinho, tinha sido a irmã a dar-lho, ela só dizia que não o queria, que ele iria morrer. Mas ela gravou na sua memória as palavras da irmã. “Ele vai morrer de qualquer maneira, mas tu podes contribuir para que enquanto ele esteja vivo esteja bem e feliz.” Sim, faz todo o sentido. É um pouco diferente ouvirmos isto sobre um animal que acabamos de conhecer ou sobre um que nos acompanha há quase 10 anos. Nunca estamos preparados para os perder. Eu não sei quando vou perder a minha Tonicha, sei que será em breve, mas, até lá, faço tudo para que esteja sempre feliz.

14.1.20

The Act

Esta série é absolutamente perturbadora, mas é imperdível. É da HBO e tem apenas 8 episódios. É baseada nas vidas de Gipsy Rose Blanchard e da sua mãe, Dee Dee Blanchard. Conta-nos como Dee Dee (Patricia Arquette) abusava da sua filha (Joey King), inventando doenças e deficiências. Isto é tão doentio e afectou-me imenso porque aquela mãe amava tanto a filha, mas ela, sim, era a doente. Foram várias as vezes que virei a cara para não ver. Foram feitos vários documentários sobre esta história, até porque a filha, apercebendo-se que não era doente, acabou por matar a mãe em 2015, com a ajuda do namorado. As duas protagonistas fizeram um papelão, não só na interpretação como na transformação a que foram sujeitas para estes papéis. 




10.1.20

Dois Papas

Que filme tão bom de se ver... Retrata a relação e conversas imaginárias entre o Papa Bento XVI e o Papa Francisco, com factos reais e históricos pelo meio. As conversas em Castel Gandolfo, na casa de verão do Papa, e na Capela Sistina respeitam os dois Papas, a Igreja Católica e as suas visões teológicas quase sempre opostas e são inspiradas nos discursos (reais) de ambos. Consegui ver ali dois Papas muito humanos, com momentos de grande humor, piza, Fanta, os ABBA e os Beatles e um smartwatch de que está sempre a lembrar o Papa Bento XVI que tem que caminhar para atingir os 10000 passos.

https://drive.google.com/uc?export=view&id=1hCj65w-rN8M242hdyKJNbBwa2TE8THX5

A minha Tonicha 💔

Estou sem grande vontade de falar sobre o assunto, é muito doloroso. As análises da Tonicha não podiam ser piores. 3 dias de internamento no hospital não resultaram e veio para casa para poder estar mais confortável. Nesta altura, a insuficiência renal é bem mais grave do que o cancro de mama e a esperança de vida é muito curta. Veio para casa com antibiótico, um ansiolítico para dar apetite e um medicamento para os rins. Para além disso, terá que fazer soro no hospital 3 vezes por semana. Hoje foi terrível dar-lhe o antibiótico e não comeu. Só lambeu o molho da comida húmida. Quero é que esteja confortável, faço-lhe as vontades todas, veio à rua, apanhou sol, foi até ao telhado da garagem, dormiu no quarto da Maria Victória. Não lhe quero prolongar o sofrimento... Já chorei tanto, tanto... Custa tanto despedirmo-nos de quem é tão importante para nós, ainda que seja um gato.


9.1.20

Raquel Tavares

Hoje, a Raquel Tavares foi ao Programa da Cristina para informar que iria abandonar a carreira de fadista. Ela estava profundamente angustiada, em sofrimento, e causou-me muita impressão ver um ser humano naquele estado. A reflexão que faço do que vi hoje é a seguinte:

Meio mundo anda infeliz com a sua vida profissional. E vão aguentando porque têm que viver e ganhar dinheiro e nem todos se podem dar ao luxo de escolher o que fazer profissionalmente. E é esse aguentar, esse medo de desiludir os outros ou de falhar, que nos vai destruindo por dentro, chegando ao ponto de já não nos reconhecermos. Claro que, no caso da Raquel, ainda deve ser mais difícil de compreender porque há tanta gente que queria ter o seu talento e carreira bem sucedida. A carreira de artista é muito difícil de alcançar em Portugal e ela chegou lá. 
Meio mundo anda doente emocionalmente. As doenças mentais estão a crescer nas sociedades ocidentais. Andamos todos tristes e todos a disfarçar essa tristeza. Basta entrar no Instagram para vermos os outros super felizes e realizados e nós mergulhados na nossa infeliz vida. Como se pode ver, ser-se conhecido, reconhecido, bem-sucedido não significa ser-se feliz. O melhor mesmo é deixarmo-nos de vida social virtual e passarmos mais termos a cultivar a vida social real, criar redes de apoio, passar mais tempo com pessoas que nos queiram bem. Não é vergonha dizermos que não estamos bem, que precisamos de ajuda.
Porquê esta necessidade de dar satisfações ao público? A Raquel respondeu a esta pergunta, dizendo que foi o público que a sustentou nestes anos e que lhes devia dar uma justificação. Não concordo que tenha que o fazer. O público não a sustentou. Ela vendeu um serviço e, em troca de uns momentos bem passados, o público pagou-lhe. É simpático da sua parte informar, mas não deve nada a ninguém. E pergunto-me porque é que alguém teria que a criticar? Eu também não queria ter vida de artista. Nunca estar em casa, andar sempre com a mala às costas, dormir fora de casa, refeições fora, não poder estabelecer relações estáveis e eventualmente ter uma família ou, quando se consegue, com um custo elevado e perdendo imensos momentos importantes. Não há dinheiro ou reconhecimento que pague isso. Raquel, não tens família, mas sei que tens muito bons amigos, e ainda vais muito a tempo de construir a tua. A opinião dos outros não interessa para nada! Se não tiver nada de bom para dizer, não diga nada. Todos temos opinião, mas não temos que a dar sempre. Não sei por que a Raquel seria atacada nos próximos tempos, tal como a Cristina Ferreira apelou que não o fosse. Quem gosta da Raquel artista pode sempre comprar os seus discos, ver os seus vídeos no YouTube. A Raquel pessoa nunca a conhecemos na verdade. Espero que a Raquel encontre o seu caminho e a sua felicidade. Já descobriu o que não quer fazer na sua vida e isso já é notável! Tudo de bom, Raquel. 


https://drive.google.com/uc?export=view&id=1yRmSpGcYVsBLfj8IyIGhupOCahzH8k14

O ou A Netflix?

Como só há pouco tempo tenho Netflix nunca tinha pensado muito no assunto, mas gosto de fazer um bom uso das línguas que falo e comecei a questionar-me sobre o género deste serviço. Seria O Netflix ou A Netflix? Fui pesquisar e descobri que era uma dúvida de várias pessoas. Provavelmente, nesta altura do campeonato, com toda a gente a usar Netflix, já todos sabem se Netflix é menino ou menina. Pronto, eu não sabia, mas agora já sei. E foi confirmado pela própria empresa. IT’S A GIRL.