5.12.14

A casa de banho

Os sonos da minha filha são leves. Durante o dia, a maioria das sestas é de 20 minutos. Quando o rei faz anos dorme 1 hora. Ultimamente, à noite, tem sido difícil adormecer e depois acorda várias vezes durante a noite. Se é um pico de crescimento, então é um grande pico. Ontem, dormiu 7 horas seguidas. O meu corpinho nem acreditou. Hoje, já está a dormir desde as 23, portanto há quase 4 horas. Bem bom! Quando me apercebi que estava bem ferradinha no sono, fui a correr para a casa de banho. É das coisas que mais sinto falta - ir para a casa de banho, sem hora para sair. Isso acabou. Esta noite foi uma loucura! Fiz uma limpeza profunda na pele, apliquei um tónico e um creme de noite. Como vi que ainda dormia, arrisquei e removi o verniz que teimava em sair há vários dias. Não há cá tempo para verniz gel, como dantes. É assim a minha vida! São os privilégios de se viver com a bebé mais linda e amada do mundo. Ou estou a trabalhar para ela ou a olhar por ela. E agora cá estou a escrever isto e a olhar para ela, tão linda, a dormir de lado como a gente crescida.

3.12.14

Lista de enxoval do bebé

Encontrei esta lista e parece-me bastante completa. Por outro lado, não sei até que ponto isto tudo será necessário. Não estamos propriamente em altura de comprar coisas desnecessariamente.

Gostava que me dessem o vosso feedback sobre esta lista, tendo em conta que a minha bebé vai nascer no início de Maio.

Agradeço imenso a vossa ajuda e experiência.

Enxoval

Roupa
● 12 fraldas de pano de algodão
● 6 bodies interiores manga comprida (tamanho 50 cm)
● 6 bodies manga comprida (tam. 56 cm – 1 mês)

● 6 bodies manga comprida (tam. 62 cm–3 meses)
● 6 bodies manga curta (tamanho 3-6meses)
● 6 bodies manga curta (tamanho 3-6meses)
● 4 babygrows/pijamas (tamanho 50 cm)
● 6 babygrows/pijamas (tamanho 56 cm)

● 4 babygrows/pijamas (tamanho 62 cm)
● 3 calças com pés (interiores)(tamanho 50 cm)
● 3 calças com pés (interiores)(tamanho 56 cm)
● 4 camisas (3-6meses)
● 2 camisolas (1-3meses)
● 4 camisolas (3-6meses)
● 4 calças (3-6meses)

● 2 jardineiras (3-6meses)
● 5 pares de meias (vários tamanhos)
● 4 botinhas lã
● 3 sapatinhos (mas só a partir dos 3 meses)
● 3 casaquinhos (56 cm – 1mês)
● 3 casaquinhos (62 cm – 3 meses)
● 1 casaco de sair (56 cm)
● 1 casaco de sair (62 cm)

● 2 Casaquinhos sair 3-6 meses
● 6 babetes grandes com velcro e forro impermeável
● 6 babetes médios com forro e fecho velcro
● 7 babetes pequenos com forro e velcro
● 3 barretes/toucas (0-1)
● 4 barretes/toucas (1-3)
● 1 Par luvas

● 3 Sacos bebé

Quarto

● Espreguiçadeira

● Parque de actividades
● 1 alcofa Na compra do carrinho vem a alcofa
● Forro alcofa
● 2 resguardos alcofa
● 4 lençóis alcofa
● 2 cobertores alcofa
● 1 cama grades e colchão

● 1 Protecção grades 360º (vertbaudet) + forro colchão
● 3 resguardos
● 2 cobertores cama grades
● 1 edredão + 2 capas (comprar na vertbaudet)
● 4 lençóis cama grades
● almofada
● rolos laterais suporte bebé
● cesto roupa suja
● 1 cómoda
● 1 roupeiro
● intercomunicador
● luz presença
● Mobile

● Dossel para cama de grades

● Ursinho Dodoo

Exterior
● 1 carrinho
● 1 ovo conversível em alcofa - Vem com o carrinho
● 3 mantinhas
● saco/mochila - Vem com o carrinho
● brinquedo para ovo

● Porta documentos bebé

Banhos / higiene / saúde
● 1 banheira com suporte e rodas
● 4 toalhas banho com capuz
● gel banho/shampoo/creme hidratante
● 1 termómetro banho
● 1 tesoura unhas pontas redondas
● 1 aspirador nasal
● 1 termómetro para febre (se for dos normais convém escolher ponta mole)
● 1 escova e pente
● 1 esponja natural
● 20/50 fraldas pequenas ou recém nascido
● 50 fraldas etapa 2
● toalhitas
● creme rabinho
● Compressas esterilizadas para olhos e umbigo grande e pequena
● compressas não esterilizadas grandes e pequenas
● Álcool 70º
● algodão (próprio para bebés, que não largam pêlo)
● óleo de amêndoas doces
● soro fisiológico
● cotonetes bebé
● perfume sem álcool
● bebegel
● infacol (cólicas, acho que faz milagres)
● 2/4 chuchas (2 recém nascido)
● 1 guarda chuchas
● 1 corrente chucha

Alimentação
● 4 biberões Avent – 2 de 250 ml e 2 de 150 ml (as tetinas podem ser latex ou silicone com orifícios pequenos)
● 1 bomba p/ tirar leite manual Avent
● 1 escovilhão para lavar os biberões
● Esterilizador Microondas Avent
● aquecedor biberões (comprar só depois de nascer se fizer falta)
● termo biberões


Lista Mamã (maternidade)
● exames médicos + caderneta grávida
● creme mamilos (sugestão de dois milagrosos: lansinolt natural n precisa de lavar antes de dar de mamar e Purelan)
● creme massajar maminhas (trombocid)
● Protectores de mamilos (os da chicos são bons)
● discos absorventes (os do continente são óptimos)
● Compressas térmicas para o peito (por ex: Bebé Confort, servem para colocar quentes quando se der a subida do leite, para ajudar a desobstruir, ou a frio no peito dorido ou inflamado)
● discos de gel para mamilos gretados (aquamed produto novo... dizem que dá muito resultado)
● 3/4 camisas de noite abertas à frente
● cuecas descartáveis
● 2/3 soutiens de amamentação (Chicco, pré-natal ou playtex)
● Faixa ou cinta pós parto (opcional)
● elásticos p/ o cabelo
● escova cabelo
● pinturas
● 1 roupão
● 1 chinelos quarto
● 1 chinelos p/ banho
● pensos higiénicos (grande absorção)
● lenços papel
● produtos de higiene
● máquina fotográfica e filmar
● roupa para sair

Malinha bebé (maternidade)
● 4 mudas de roupa, separadas em saquinhos (e identificadas com etiquetas: 1º dia, 2º dia... etc)
● 2/3 fraldas de tecido
● fraldas descartáveis (na maternidade só deram para o primeiro dia)
● creme rabinho
algumas instituições disponibilizam produtos para os bebés, mas se souberem antes que não dão convém levar:
● compressas
● toalhetes
● álcool
● creme hidratante

Segundo algumas mamãs é importante acrescentar à lista itens importantes para quando chegarmos a casa:
● Betadine espuma (frasco encarnado) para a higiene da episiotomia
● uma compressa de gel em forma de penso que se pode usar a frio para aliviar as dores dos pontos
● um stock razoável de pensos higiénicos (não é necessário serem todos de grande absorção, depois o fluxo normaliza) tendo em conta que os lóquios duram aproximadamente um mês
● Deixar comida preparada ou assegurar alguém que a faça para os primeiros dias. O ideal seria deixar o frigorífico e a dispensa bem abastecidos...

2.12.14

Podemos curar tudo?

Desde que escrevi sobre as crises de ansiedade de que sofro que recebi imensos e-mails e mensagens de apoio. A maioria era de pessoas que passaram ou ainda passam pelo mesmo e mostraram-me que estou menos sozinha do que penso.

Num desses e-mails, uma leitora falou-me de Louise Hay e da sua filosofia e de como isso tinha mudado a sua vida. Avisou-me que era diferente de qualquer literatura de auto-ajuda e que valia a pena ler um pouco sobre isso. De um modo geral, não sou de recusar este tipo de desafios, sejam eles quais forem ("Não negue à partida uma ciência que desconhece." Ahahahah!). Gosto de experimentar para depois poder avaliar. Fui procurar saber quem era a tal da Louise Hay. Aparece logo imensa informação.

Resumindo em muito poucas palavras, a Louise Hay defende que o nosso pensamento é responsável por tudo o que nos acontece. Tudo o que pensamos hoje vai construir o nosso futuro. Na verdade, já li outros livros antes que diziam a mesma coisa: somos arquitectos da nossa própria vida. Isto pode até parecer muito cruel. Há pessoas que têm vidas horríveis, foram vítimas de coisas muito más. Como lhes podemos dizer que aquilo é culpa delas? O que lhes aconteceu não é sua responsabilidade, claro. Viver com isso e ficar paralisado, sim.

O que Louise Hay promete é que a nossa vida pode mudar, caso estejamos nessa disposição e caso repitamos para nós mesmos o que queremos mudar. Essa mudança irá acontecer. Quando se fala em mudança, fala-se em mudança a todos os níveis: emocional, financeiro, pessoal... O que mais me impressionou foi que ela afirma que esta filosofia cura muitas doenças, também. Tem até uma lista de exercícios específicos (são apenas frases para repetirmos) para cada doença. Se assim for, isto é revolucionário. Através do meu blog, pude estar em contacto com pessoas com diversos tipos de problemas: não conseguem engravidar, sofrem de depressão, estão desempregadas, sentem-se feias, estão gordas, têm cancro. Louise Hay tem solução para tudo.

Eu realmente acredito que as nossas crenças e força interior têm um poder enorme. Eu já consegui atrair para mim coisas muito boas porque sou uma pessoa bastante optimista. Também ja percebi que pessoas negativas à nossa volta nunca trazem nada de bom. Por isso, acho que, na dúvida, não custa nada experimentar as sugestões de Louise Hay. Façam as vossas pesquisas no Google e no YouTube. Se preferirem, enviem-me um mail porque eu já tenho a pesquisa feita.

Não custa nada tentar, não é?

28.11.14

A ansiedade de viver com ansiedade

Estou a precisar muito de falar sobre este tema porque eu vivo com ansiedade.

Aos vinte e poucos anos, em plena época de exames determinantes para terminar o curso, tive o meu primeiro ataque de ansiedade. Na altura, não sabia o que era. Estava sozinha em casa, sem namorado, sem colega de casa. Comecei a sentir umas palpitações estranhas, calor, sentia que podia desmaiar a qualquer momento... Liguei a uma amiga e fomos ao centro de saúde porque eu achava que aquilo só podia ser uma gripe. Não era gripe. Não tinha febre, não tinha nada. Desvalorizei.

Uns meses mais tarde, já trabalhava como professora estagiária, voltei a ter a mesma sensação. Estava a morar sozinha numa casa dos meus pais e tinha passado o verão toda orgulhosa de ser independente. Morar sozinha, ter o meu ordenado, tudo perfeito. Na segunda noite que lá dormi, a minha mãe liga-me a dizer que o meu pai estava um pouco adoentado e febril. Minutos mais tarde, começo a sentir eu essa febre, calor e o desmaio iminente. Resolvi ir dormir a casa dos meus pais. Pelo caminho senti-me pior e dirigi-me ao hospital. Como é óbvio, não detectaram nada, mas, pela primeira vez, receitaram-me um calmante. Ou seja, identificaram claramente o problema, mas não me disseram nada. Quando vou à farmácia aviar a receita é que percebi que eles achavam que eu não estava bem da cabeça. Não tomei nada do que me receitaram porque era uma medicação forte e eu tenho uma aversão a remédios. Sobretudo deste tipo.

Já não voltei a morar naquela casa. Lá se foi a independência! Passei a ficar com os meus pais porque eu precisava desse conforto e desse mimo. Grande parte desse ano lectivo foi vivido com ansiedade, com as palpitações, o medo, sei lá. Achei que era por estar a estagiar, fui levando a coisa da melhor forma possível. A primavera chegou e tudo se diluiu. O estágio correu muito bem, já não havia grandes motivos para estar ansiosa. Nunca procurei ajuda médica, nunca tomei nada. A ansiedade não me afectou a vida porque eu nunca deixei de fazer nada. Pontualmente, tinha uns episódios de ansiedade, sobretudo em espaços fechados com muita gente, por exemplo em discotecas. Uma amiga minha já sabia que eu tinha que me colocar perto da saída e não podia estar em locais mais apertados. Se eu me sentisse segura, estava tudo bem.

Quase 10 anos mais tarde, fiquei a saber o que é ter ansiedade que nos paraliza por completo. Já tinha saído de casa e já tinha regressado novamente. Os meus pais divorciaram-se quando eu fiz 30 anos. Vivi tudo com eles e foi dolorosíssimo. Nunca pensei que me custasse tanto, sendo eu uma adulta em vésperas de me casar. Se, por um lado, eu sabia que que era o melhor para todos, por outro lado, perde-se qualquer coisa dentro de nós que nunca mais se recupera. Voltaram as palpitações e o medo, mas de uma forma avassaladora e intensíssima. Não conseguia estar em casa sozinha. Se a minha mãe precisasse de sair, a minha vizinha tinha que ficar lá. Não conseguia andar de carro sozinha. Felizmente, nunca deixei de conduzir, mas tinha que estar sempre acompanhada. Fiquei com pânico de andar em auto-estradas porque não podia sair quando quisesse. Deixei de ir a locais públicos, tipo cafés, restaurantes, bares... Deixei de estar com todos os meus amigos, pois eu não saberia como explicar que não conseguia estar com eles. Afastei-me. Sempre que eu tentava contrariar os meus medos, era ainda pior. Começa a sentir-me mal e as pessoas não percebiam porque é que eu insistia que tinha que ir embora, fugir dali. Fazia figura de idiota. Os meus pais e o meu namorado (hoje meu marido) tentavam compreender o que eu tinha, mas não conseguiam. Eu própria não sabia por que tinha aquilo. Sempre fui uma pessoa que saía imenso à noite, de dia, andei milhares de kilómetros de carro, vivi sozinha em 2 cidades que não a minha, não percebia o que era aquilo, mas era muito mau. A minha vida parou durante uns meses e eu deixei de existir. Se estivesse em casa, no meu ambiente, estava bem. Não me sentia deprimida ou triste, apenas queria ficar quieta em casa. O facto de eu trabalhar em casa também não ajudou muito. Nunca precisei de perder um único dia de trabalho que fosse por causa disto, o meu trabalho nunca foi afectado. Aliás, o trabalho era uma excelente desculpa para eu não sair de casa. Durante esses meses fui, até, promovida. Pudera, estava sempre a trabalhar e disponível para tudo!

Como ninguém percebia o que eu tinha, resolvi pesquisar sobre o assunto e rapidamente cheguei à ansiedade e aos ataques de pânico. Foi um alívio ver que o que eu sentia tinha um nome e era muito comum em mulheres da minha idade. Havia realmente um padrão. Resolvi que não podia continuar assim, que a minha vida não podia ficar paralizada, até porque me ia casar dali a pouquíssimo tempo.

Procurei uma médica psiquiatra, que já acompanhava uma amiga minha, mas avisei-a logo que não queria tomar medicação forte. Não queria sentir-me drogada, lenta, pesada, alheada da vida. Ela concordou e receitou-me um ansiolítico e valeriana, apenas. E exercício físico. Esta psiquiatra fez-me psico-terapia, receitou-me livros para eu ler e para discutirmos. Não foi um processo rápido, devido à minha relutância em aceitar medicação mais forte, mas consegui ultrapassar a ansiedade. Confesso que nunca mais fui a mesma pessoa. Houve coisas que nunca mais consegui fazer. Mas consegui casar-me. Foi daqueles dias que eu pensei que fosse morrer. Aliás, a noite anterior foi terrível. Surpreendentemente, o dia do casamento foi calmo para mim. Os ansiolíticos ajudaram imenso. Os meses seguintes foram um desafio. Com passos curtos, lá fui tentando levar uma vida mais próxima do normal. Houve quem nunca tivesse percebido o que eu tive.

Agora, que fui mãe, a nuvem da ansiedade regressou. Não saio de casa, nem consigo sair sozinha. Ir a espaços públicos é terrível, pois estou com medo permanente de desmaiar e é uma angústia enorme. O meu marido força-me a sair, mas a maioria das vezes é penoso e arrependo-me sempre de lhe ter feito a vontade. Ele continua a não perceber porque é que isto acontece. Antes eu saía para todo o lado e agora não consigo. Tenho medo de quê? Não vai acontecer nada. Sair de casa e encontrar uma fila de trânsito é o suficiente para me sentir encurralada, ficar cheia de calor e com tonturas. Tem sido terrível porque é difícil explicar um problema que não se vê. Se eu tivesse uma dor num braço, tudo bem, o braço é visível, dói, é normal. Uma dor que é só minha, só eu é que a sinto e a compreendo, é difícil de explicar. Falar sobre o assunto, ajuda-me. Sempre que tento falar com alguém sobre isto, as pessoas parece que ficam envergonhadas porque não sabem o que me dizer. "Pois, tens de procurar ajuda." Obrigada, a sério. Se estou a falar contigo, é porque te estou a pedir ajuda, não é?

Ninguém gosta de ouvir os nosso lamentos. É aborrecido ouvir as pessoas a queixar-se. Nós queremos é gente falsa ao nosso lado. Gente a quem perguntamos se está tudo bem e nos responde que sim, está tudo excelente. Pessoas que nos poupem aos seus problemas. As pessoas já têm que levar com as suas desgraças, não têm tempo para resolver as nossas. O mundo actual está desenhado para pessoas que vivem e resolvem os seus problemas sozinhas. Que escondem e camuflam os seus sentimentos e mostram sempre a mesma cara aos outros. Infelizmente para mim, não consigo ser assim. Talvez fosse muito mais feliz se conseguisse ter alguns momentos de hipocrisia. De que adianta vivermos em sociedade, inseridos em grupos sociais mais ou menos pequenos, se nem para nos ajudarmos uns aos outros servimos?

Já percebi que, uma vez mais, vou ter que passar por este inferno sozinha. Como das outras vezes, houve um momento de grande stress que despoletou tudo isto. Primeiro foram os exames, depois o estágio, o divórcio dos meus pais e, agora, não foi o nascimento da minha filha, não. Tê-la comigo é o melhor ansiolítico que eu posso tomar. Apesar de muita gente gostar de apontar a gravidez ou a maternidade como desculpa para muita coisa, pois são as hormonas, é a depressão pós-parto... só balelas de quem não quer ver as coisas a fundo. Não, não foi nada disso. Mas a culpa é exclusivamente minha por me deixar afectar por pessoas que não valem um segundo da minha atenção. Até ao dia de hoje aguardei por um pedido de desculpas. Já percebi que não vai chegar e agora também não preciso dele, nem o quero. Podem ficar com as desculpas como recordação. Da minha parte, haja sempre memória para que eu nunca esqueça o que eu estou a passar.

E, já agora, para quem acha que eu falo demasiado sobre mim, só acrescento mais uma coisa (sim, alguém próximo acusou-me de falar muito de mim). Não é isso que todos devíamos fazer? Falar da nossa vida? É que se querem que eu fale dos outros, é só dizerem. Tenho imenso para contar.

22.11.14

7 meses | simbologia

Em muitas culturas, completar 7 meses ou anos tem um simbolismo muito forte. Sempre aprendi a "cheirar" este tipo de simbolismo ao ler e analisar literatura e rapidamente associei aos 7 meses da minha princesa.

Da Índia, chegou também a lembrança de que é muito auspicioso chegar aos 7.

~

O número SETE é certamente o mais presente em toda filosofia e literatura sagrada desde sempre. O número SETE é sagrado, perfeito e poderoso, afirmou Pitágoras, matemático e Pai da Numerologia. É também considerado um número mágico. É um número místico por excelência. Indica o processo de passagem do conhecido para o desconhecido. O SETE é uma combinação do TRÊS com o QUATRO; O TRÊS, representado por um triângulo, é o Espírito; o QUATRO, representado por um quadrado, é a Matéria. O SETE podemos dizer que é Espírito na Terra, apoiado nos quatro Elementos, ou a Matéria “iluminada pelo Espírito”. É a Alma servida pela Natureza.

O número QUATRO que simboliza a Terra, associado ao TRÊS, que simboliza o Céu, permite inferir que o SETE representa uma Totalidade em Movimento ou um Dinamismo Total, isto é, a Totalidade do Universo em Movimento.

O SETE é o número da Transformação, é a primeira manifestação do homem para conhecer as coisas do espírito, as coisas de Deus, a Criação. Ele é o número da Perfeição Divina, pois no sétimo dia Deus descansou de todas as suas obras. Ao lado do TRÊS, é o mais importante dos números sagrados na tradição das antigas culturas orientais.

Entre os judeus, a concepção oriental do SETE manifesta-se no Candelabro de sete braços (MENORAH), que representa tanto a divisão em Quatro partes da órbita da Lua, que dura 4 vezes 7, quanto os sete planetas.

Na Europa Medieval dava-se muita importância aos grupos de sete:
  • Havia SETE dons do Espírito Santo, representados na arte gótica em forma de Pomba;

  • SETE eram as virtudes;

  • SETE eram as artes;

  • SETE as ciências;

  • SETE eram os sacramentos;

  • SETE pecados capitais; e

  • SETE pedidos expressos no Pai Nosso.
Na Antiga China, o SETE deveria ser associado, enquanto número ímpar, ao princípio masculino do Yang, mas exprimia a ordenação dos anos de vida da mulher, que hoje se sabe estão presentes de forma similar também na vida do homem. A repetição por sete dias também era importante no culto dos mortos: a cada sete dias depois do falecimento, até o 49o.dia eram organizados festejos e sacrifícios em memória do morto. No sétimo dia do sétimo mês ocorria uma grande festa para as jovens mulheres e as moças.

Podemos citar ainda várias outras “coincidências” (?) em relação ao SETE: São 7 as notas musicais, foram 7 as pragas do Egipto, são 7 os Arcanjos, são 7 as obras de misericórdia. 7 são os níveis de densidade da matéria que nos envolve. O arco-íris tem 7 cores. As nossas células todas mudam de 7 em 7 anos. Temos 7 glândulas endócrinas. São sete os nossos chacras. Os 7 dias da semana também marcam profundamente nossos ritmos.

17.11.14

Dia Mundial da Prematuridade - Uma história real

No Dia Internacional da Prematuridade, partilho-vos a história de uma prematura de 25 semanas, que eu conheço pessoalmente. Leiam o relato da Maria, uma prematura de quase 20 anos, que vos fala na primeira pessoa.

É uma história linda de esperança e fé na medicina e nos pequenos grandes guerreiros.
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"Prematuros"

Fotografia de António Barreto, 2003

Por estes dias ouve-se muito falar de uma Margarida que nasceu com 25 semanas, no Dubai. No entanto, eu conheço uma Margarida que nasceu há quase 20 anos, também com 25 semanas, e hoje está aqui!

Nasci a 28 de Novembro de 1994, com 750 gramas e 32 cm. Devido ao meu baixo peso e ao tempo que tinha fui logo batizada, ficando inicialmente o meu nome a ser Maria. Logo de seguida fui transportada de emergência para a Maternidade Júlio Dinis, no Porto.

No Porto estive mais de três meses. Tão depressa aumentava o peso, como diminuía. Era um grama de cada vez…

As enfermeiras sempre me viam perguntavam à minha mãe se eu só me ia chamar Maria. Um mês depois de eu ter nascido, fui registada com o nome de Maria Margarida, nome de que gosto muito, mas não gosto que me chamem assim… (É sinal que a minha mãe me está a repreender).

Durante as férias de Verão, li um livro da Fundação Francisco Manuel dos Santos escrito por João Pedro George, um pai prematuro, chamado Prematuros. Enquanto, o lia pensava “coitadinhos destes bebés”. Não podia pensar isso de mim porque não me lembro de ter estado na incubadora apesar de, ter boa memória. Percebi bem o que os pais dos bebés prematuros sentem ao ver os filhos dentro da incubadora, cheios de tubos e máquinas à volta. Senti isso, quando há mais ou menos dois anos pedi aos meus pais se me podiam levar à Maternidade Júlio Dinis. Fui nas férias de Verão. Quando lá cheguei, pensei que não ia encontrar lá ninguém que tivesse cuidado de mim, mas mal entro a porta que dá para a Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, aparece uma das médicas que me tratou quando eu era muito pequenina. Conheceu-me logo, quase dizia o meu nome completo, porque reconheceu a minha mãe. Ajudou-me a concretizar o sonho de visitar a UCIN, arranjou uma bata para mim e lá entramos para eu conhecer a Unidade. À entrada reparei numa parede com fotografias de meninos e meninas, uns mais velhinhos do que outros, que deviam ter estado lá internados. Depois desse painel, viramos à direita, mas voltamos para trás, ou seja, para o lado esquerdo. Neste lado, havia três incubadoras, de cuidados intensivos, mas só duas é que estavam ocupadas. Do lado direito, eram as incubadoras dos bebés maiorzinhos, que mesmo assim não eram muito maiores do que os que estavam nos cuidados intensivos. Já não sei quantos estavam, nem sei se os cheguei a contar. Uns dentro das incubadoras arragadinhos ao dedo da mãe, ou do pai, outros a receberem cuidados e carinho das enfermeiras, ou ao colo da mãe, ou a beberem leitinho através do biberão, que esmo sendo dos mais pequenos, pareciam uma “coisa” gigante.

Se, por acaso, alguém for mãe, ou pai de um bebé prematuro não se esqueçam que o vosso filho/a vossa filha precisa do vosso amor, carinho e dedicação. Como li no livro que vos falei, “os pais são a primeira incubadora dos prematuros”.

Hoje, estou a uns dias de fazer 20 anos, meço 1,55m, tenho um problema de visão chamado Retinopatia da Prematuridade, mas que está controlado, ando no 2ºano de Administração Pública, na Universidade do Minho, e sou feliz! J Tudo isto graças aos meus pais, aos médicos e às enfermeiras, aos amigos e às orações de muitos, alguns que eu nem conheço que intercederam por mim ao Senhor e foram atendidos, à família e aos Professores que me ajudaram a crescer!

Maria Margarida Pires