28.3.20

O cinema mudo de Charlie Chaplin

Realmente, há coisas boas que podemos retirar deste tempo difícil de quarentena. No outro dia, a propósito de uma pergunta qualquer que a Maria Victória me fez, falei-lhe no Cinema Mudo. Como há 100 anos, as personagens dos filmes não falavam, apenas havia música e uns sons. Lembrei-me, então, que aos sábados, o meu pai trazia-me sempre um filme do videoclube. Vi todos os filmes do Charlie Chaplin e, como verdadeira fã, até tive um cãozinho muito estimado chamado Charlot. Estava decidido: íamos ver um filme mudo! Fui ao YouTube e o primeiro que me apareceu foi o “The Kid” de 1921 e pareceu-me perfeito. Começou logo mal. O miúdo é abandonado num carro em frente a uma igreja pela mãe, pobre, que tinha a intenção de se suicidar. O carro foi roubado por uns ladrões e Charlot acaba por ficar com o bebé. É um filme muito engraçado, mas explora a miséria humana, inspirada também na infância de Chaplin. Foi complicado explicar muita coisa à minha filha tão pequena. O filme é, de facto, engraçado mas é muito perturbador. Ela ficou muito incomodada com o bebé abandonado... “que a mãe não devia ter abandonado o bebé”, “pobrezinho do bebé”, “as mamãs não abandonam os bebés”, etc. Ainda não sei bem se devo expô-la a estes dramas ou se devo mantê-la numa bolha de proteção. Ver este filme serviu para para dar a conhecer à minha filha várias coisas: 
  • Viu imagens com quase 100 anos;
  • Percebeu que houve uma evolução nos filmes. As coisas não foram sempre como são agora;
  • Conheceu um dos maiores mestres do cinema - Charlie Chaplin 
  • Percebeu que nem todos são privilegiados como ela;
  • A importância do amor;
  • Partilhámos um momento.
Estará para breve outro filme. 


Vida de sopeira

Antes em casa a levar vida de sopeira do que estar num hospital, já sei. Mas preciso de me queixar um pouco.
Dizem-me que passo o dia a falar em comida. É verdade! Acabo de fazer uma refeição, arrumo tudo e já tenho que planear a próxima. Cá em casa, ninguém me dá ideias e custa-me mais pensar no que fazer do que realmente fazer. Esta é uma nova rotina para a qual nunca me preparei convenientemente. Fazíamos muitas refeições nos meus sogros, outras vezes jantávamos fora ou íamos buscar comida. Ou seja, só cozinhava de vez em quando e não era nada complicado saber o que preparar. Agora é gerir as refeições principais, gerir recursos para evitar ir ao supermercado desnecessariamente, fazer snacks e bolos com a miúda... só me falta fazer pão. E só ainda não fiz porque não tenho fermento. Mas entretanto já descobri que dá para fazer fermento em casa. E pronto, é isto! Eu que sempre abominei tarefas domésticas, estou um ás na cozinha. A minha vénia a quem acumula toda esta realidade, que nos dias de hoje não é exclusividade minha, com o trabalho em casa. Não me refiro àqueles que fazem de conta que trabalham em casa. Falo dos que efectivamente têm que trabalhar em casa, com filhos, refeições e máquinas de roupa à mistura! Boa sorte para todos nós. 


A minha vista nos últimos tempos.

26.3.20

Materiais para pré-escolar

Tantos dias seguidos em casa e começam a faltar recursos para entretermos os mais pequeninos. Os maiorzinhos sempre vão tendo trabalhos da escola, mas com as crianças em idade pré-escolar é importante diversificar actividades para que não se aborreçam e não nos aborreçam, convém dizer.

Encontrei um ficheiro, criado por uma educadora brasileira, que disponibiliza mais de 170 páginas de acividades. Usem, adaptem, partilhem.



25.3.20

A Força do Hábito

Ou o poder do hábito em Português do Brasil. Este livro de Charles Duhigg explora a ciência por trás da criação e reforma de hábitos. Este livro é obrigatório para quem quer mudar maus hábitos. 
Podem adquiri-lo na Wook ou na Fnac, ou podem ler esta versão brasileira gratuita online. 



Sentir-me inútil

Estou há muito tempo em isolamento social. Entretanto, fui dispensada do meu trabalho. A maior parte das lojas do mundo estão fechadas, logo não há programas de mystery shopping. Nos primeiros dias, apreciei não fazer nada. Na verdade, andava tão cansada que o timing foi mesmo oportuno. Apesar de não descansar do trabalho doméstico, sempre descansava do outro trabalho. Hoje em dia, passo o dia a cozinhar e a limpar. Sinto-me uma imprestável. Não produzo nada, não ajudo a comunidade, não faço a diferença. Procuro pesquisar o que é possível fazer e não sou capaz de fazer nada que ajude a minorar os efeitos desta pandemia. Não sou profissional de saúde, não sei costurar, não sei cozinhar, na verdade, na prática, não sei fazer nada. Uma pessoa estuda, especializa-se, trabalha, cresce profissionalmente, dirige uma equipa de dezenas de pessoas... vem um vírus e já não conseguimos fazer nada. Isto de me pedirem para ficar em casa soa-me a pouco. Não sou pessoa de ficar parada perante adversidades, bem pelo contrário. Eu sou daquelas ansiosas que reage, não paraliso. Neste momento, estou em paralisação forçada e não estou bem. É óbvio que vou continuar fechada em casa, a cuidar de mim e da minha família, mas precisava de mais qualquer coisa. Se alguém precisar da ajuda desta imprestável, disponha!

24.3.20

A fuga para o interior

Estamos há 13 dias em isolamento social. Não me custa muito porque já o praticava antes, mas ser forcada a isso é tramado. Vivemos em Trás-os-Montes e vivemos numa aldeia, a 5 km de Vila Real. Nem sempre é fácil viver numa aldeia. Temos que nos deslocar para tudo: compras, restaurantes, cafés, passeios... A grande vantagem é a largueza de horizontes, a paz de viver sem ruídos, sem trânsito, o espaço. Ter uma casa com espaço, com jardim onde os miúdos podem brincar. Aqui os vizinhos oferecem ovos, legumes, ajuda, simpatia. O interior está despovoado. Ninguém cá quer viver porque não há empregos. O meu marido tem que sair daqui para trabalhar. O apelo para viver no litoral foi muito grande. Eu recusei vários trabalhos em Lisboa e Porto. Entretanto, tive o privilégio de trabalhar a partir de casa e conseguimos manter a nossa vida familiar no interior. A escola que a minha filha frequenta vai fechar. Já está decidido! E logo eu que queria atrasar que ela fosse para uma escola grande... eu queria mesmo que ela frequentasse uma escola pequena numa aldeia. Portanto, ninguém quer viver numa aldeia, mas nestes dias as aldeias estão cheias de gente. De repente, viver na aldeia já é bom. Sejam todos bem-vindos! Mesmo! Mas fiquem em casa! Por favor! Eu que vivo na aldeia, na saio de casa, mas quem vem do estrangeiro, contactou com imensa gente, anda a passear pelas ruas, lojas e a visitar familiares. Não sejam inconscientes! Não matem os poucos habitantes das nossas aldeias. Só espero que, quando tudo isto passar, não se esqueçam do interior. Agora precisamos todos de estar em casa.