6.1.22

Hoje fiquei muito emocionada com um post que li na página de uma amiga próxima, mas que vive longe, nos Estados Unidos. Ela partilhava o texto que a sua querida sogra (Mother-in-love) tinha escrito. Era uma despedida. 

Em Novembro foi diagnosticada com um cancro no pulmão e, pela localização, parecia muito complicado. Foi acompanhada e foram-lhe propostas algumas formas de tratamento. Recusou e vai deixar a natureza seguir o seu curso. Foi assim mesmo que ela disse.


Admiro quem aguenta tratamentos de forma estóica. O meu saudoso sogro lutou com forças que tinha e que não tinha para ver a neta crescer. Foram tratamentos consecutivos que iam adiando uma inevitabilidade. O preço de ver a neta nascer e crescer foi pago com muito sofrimento. Mas viu-a crescer, ela conheceu-o bem e sentiu o seu amor. 


Admiro igualmente quem recusa esses mesmos tratamentos e não alimenta esperanças vãs. Sinto que é uma forma de respeito por si própria, de aceitação dos desígnios da vida e de paz consigo mesmo. 


A única coisa certa que temos na vida é a morte. A morte é muito vista como uma perda, é associada a sofrimento, saudade, dor, ausência, no entanto, é apenas o fim de um ciclo natural que todos sabemos que vai chegar. Espero que haja reencontros e coisas muito boas do lado de lá.


Sinto que devemos viver a nossa vida em harmonia com o que somos, mas aceitando as decisões individuais de cada um. 

5.1.22

🤍

Há um ano recebemos a notícia de que o meu sogro, avô da Maria Victória tinha finalmente descansado. Foi uma dura luta, muito prolongada. Ele foi um verdadeiro exemplo do que o ser humano é capaz de aguentar. 

Tenho a certeza que a existência da sua Mimi foi um ânimo extra para continuar a lutar e foi um bálsamo rejuvenescedor nos dias mais tristes.

O Vovô faz falta, muita falta… mas a vida segue e tem de seguir. Ficam as memórias que faço questão de manter vivas para que a minha filha nunca se esqueça que era tão amada e que continua a ter no avô uma referência que não pode perder nunca. 



29.12.21

Ano novo

Seria bom que a cada novo ano que se inicia fizéssemos um reset a todos os problemas. Que em Janeiro nada de mau existisse. Não é assim que acontece. 


Os problemas do ano anterior, lamentavelmente, vão transportar-se para o ano seguinte. 


Muitas vezes, a vida põe os nossos sonhos em pausa e nessas alturas é preciso reavaliar e reajustar os sonhos.


Por isso, as resoluções para o novo ano devem ser feitas a cada dia. Cada novo dia é uma nova oportunidade para sermos felizes com o que temos, com quem temos.



27.12.21

Ceia de Natal 🎄

Fogão a dar o máximo na cozedura do polvo, batatas e couves. O bacalhau é grelhado, por isso foi feito na churrasqueira do jardim. 


Entretanto, chega uma broa recheada e precisava de ir um bocadinho ao forno. Potência máxima para tostar o queixo e… puf! Apagou-se tudo e não voltou a funcionar.


Felizmente, estava tudo já cozinhado e não estragou a ceia de Natal. O pior seria o almoço do dia seguinte. Não tínhamos como cozinhar o almoço. 


Custou-me muito mas, na manhã de Natal, tive que ligar ao Sr. Aquiles. Não só me atendeu o telefone como veio cá a casa bem antes do almoço para uma avaliação.


A peça problemática foi substituída e voltámos a ter almoço de Natal.


Destaco aqui o profissionalismo do Sr. Aquiles, mas sobretudo a sua boa vontade. Saiu da sua casa no dia de Natal e veio até à minha salvar o almoço de Natal.


Paguei-lhe o dobro do que me pediu, mas o que ele fez não teve preço. Terá sempre a minha total consideração. 



26.12.21

Quem mora no convento é que sabe o que lá vai dentro.

Há uns anos, enquanto conversava com outras mães que tinha conhecido há pouco tempo, contavam-me que havia outra mãe que deixava os filhos na escola até às 7. 


Aquilo não era apenas a constatação de um facto. Havia ali crítica e julgamento.


Eu também já ia lançada para começar a julgar a decisão daqueles pais, mas entretanto lembrei-me que não o podia fazer do alto do meu privilégio. 


Eu também sabia que era difícil conciliar a vida doméstica e profissional com a existência de filhos. Por que motivo iria eu julgar uma mãe que mantém os filhos seguros na escola enquanto, presumo eu, trata de outras coisas? Se a mim me custava só com uma, imagino com 3 ou 4 crianças!


O que mais ouvi naquele momento foi “Que não os tivesse feito!” “Ter filhos para os deixar o dia todo na escola?”


Claro que não é a situação ideal, mas só aquela família sabe as batalhas que enfrentam e o que resulta melhor para eles.


Deixemo-nos de críticas aos hábitos dos outros e às suas decisões. As críticas não ajudam ninguém. 


“Quem mora no convento é que sabe o que lá vai dentro.”

Despedi-me!

Disse adeus um contrato de trabalho, a uma rotina infeliz e vou voltar a ser freelancer. 

Tinha a certeza de um salário ao fim do mês e de um seguro de saúde. Mas também tinha a certeza dos dias serem todos iguais, de horários pré-definidos para as pausas, de uma progressão na carreira que nunca iria chegar e um cansaço que nunca senti antes. 

Eu não queria isto para mim, por isso defini aquilo que eu queria fazer e fui à procura.  Pesquisei as empresas onde a minha experiência poderia ser útil e fiz candidaturas espontâneas. Ia a entrevistas durante a minha hora de almoço e comia depois qualquer coisa enquanto trabalhava. 

Claro que não me despedi sem antes ter outro trabalho. Há que procurar a felicidade, mas não sem antes ter uma segurança.

Ganhei coragem e comuniquei à empresa que me ia embora. Este último mês vai custar a passar (pelos 30 dias de aviso prévio) mas já me sinto tão mais leve. 

Saber que vou ser dona dos meus dias, que vou voltar a escrever, que só vou trabalhar onde me sentir valorizada dá-me um ânimo incrível. 

Não sei se vai correr bem daqui para a frente, mas “a única constante da vida é a mudança”. 

A vida é um sopro e devemos procurar sempre a nossa felicidade.