14.3.20

Mad Men


Durante anos, vi esta série ser premiada e os seus actores a desfilarem pelas passadeiras vermelhas. Por algum motivo, nunca me seduziu. E tinha tudo para me seduzir porque as décadas de 50, 60 e 70 fascinam-me.
Ao longo de 7 temporadas (2007-2015), podemos acompanhar os funcionários de uma agência de publicidade de Nova Iorque, na Madison Avenue. Daí o nome Mad Men. Não vemos apenas a parte profissional, mas também a pessoal. Temos a oportunidade de ver algumas transformações sociais e políticas ao longo de toda a década de 60. Não sei o que me encantou mais, se o rigor histórico, se o guarda-roupa, se o enredo, se os actores... É tudo espectacular! Bem, os homens andavam sempre muito aprumados, muito bem penteados, fumavam e bebiam imenso. Ao avançarmos para meados da década de 60, vemos algumas personagens masculinas a deixar crescer o cabelo e a barba. Já as mulheres tinham roupas absolutamente fantásticas! Os cabelos estavam também muito arranjados, mas a evolução de estilo é bem mais visível. No início dos anos 60, havia ainda muita inspiração dos anos 50, mas logo se começam a ver as saias a diminuir de tamanho, os sapatos são substituídos por botas de cano alto e os cabelos curtos passam a ser comprimidos. Também o design interior das casas não é deixado ao acaso. Vê-se que houve uma pesquisa grande para fazer corresponder o ano à tendência correspondente. 
O que mais me impressionou, no entanto, foi mesmo o facto de retratarem sem quaisquer pudores temas muito fracturantes para a sociedade actual. Tudo a bem do rigor histórico. Havia sempre álcool e tabaco em cima da mesa. O sexismo está sempre presente e incomoda bastante ver como as mulheres eram (e continuam a ser, apesar de muito menos) usadas. Usam palavras como “nigger” a torto e a direito, num racismo completamente exibido... o adultério, que era o prato do dia, o anti-semitismo, aborto, adopção... Imperdível! 


9.3.20

Análises ao sangue

Hoje, levei a Maria Victória a fazer análises ao sangue. As primeiras vezes são sempre assustadoras. Por isso, levei-a a um laboratório onde sei que seria bem tratada e acolhida - Unilabs Pioledo, em Vila Real.
Tinha-lhe mostrado uns vídeos no YouTube para desmistificar as agulhas e apareceu um de uma menina que fez a colheita de sangue sem chorar, mas tinha os lábios pintados. Também quis pintar e não lhe consegui recusar. Claro que o objectivo não era convencê-la a não chorar, só queria que fosse tranquila.
Não podíamos ter sido mais bem recebidas, toda a gente foi fantástica e sensível ao facto da Maria Victória estar muito receosa. Aplicaram-lhe uma pomada anestésica, mas aquilo não serviu de muito. Doeu-lhe e chorou. 
Gostava que, no final, tivessem alguma coisa preparada para “premiar” os pequenos corajosos para além dos habituais chupa-chupas. Sei que é discutível este tipo de gratificação, mas acho mesmo que teria sido engraçado ter recebido um Diploma de Coragem, ou algo do género. Acho mesmo que foi muito corajosa e portou-se bem melhor do que eu. E do que o pai. Por isso, amanhã vou imprimir-lhe qualquer coisa para que não se esqueça.


Salvar o Mickey

Há mais ou menos 3 anos, viemos morar para o campo. Não quisemos jardim para não termos grande manutenção. Ficámo-nos pela relva, que já dá trabalho que chegue, 2 oliveiras e 1 limoeiro - Minnie, Clarabela e Mickey. Estas árvores não requerem grandes cuidados, só uma poda de vez em quando e até já dão fruto. É fantástico colher um limão directamente da árvore! 

Este inverno, já com o limoeiro carregado de limões, alguns ramos partiram devido ao vento forte e as folhas começaram a secar. Não gosto muito destas tarefas agrícolas, mas nem pensar ficar sem o meu querido limoeiro. Com a ajuda da Maria Victória, estamos há 3 semanas a fazer um tratamento específico para citrinos. Vamos lá ver se conseguimos salvar o Mickey!


2.3.20

Fazer o trabalho parecer fácil

Se há coisa que as mães fazem bem é fazer o seu difícil trabalho parecer fácil. Nem sequer falo de mim, apesar de me estar a tornar cada vez mais MÃE, em todas as suas vertentes. As mães não são apenas cuidadoras e máquinas de multiplicar amor pelos seus filhos. As mães administram toda uma casa, gerem emoções, frustrações, ensinam, limpam, cozinham, tratam... O mais notável nem é serem mestres do multitasking. O que mais impressiona é acumularem funções e deixarem parecer que não lhes custa nada. 
Eu tenho uma dessas mães. Agora está reformada, mas enquanto foi professora nunca descurou o seu papel de CEO doméstica, excelente mãe e excelente professora. E só agora me apercebo do esforço que parecia não existir, mas devia ser tão grande... Eu também tenho um trabalho a tempo inteiro e também  tenho também um trabalho em casa que ninguém vê quando é bem feito. Porque quando é mal feito, aí toda a gente repara.


1.3.20

Ipsis Verbis

Hoje, enquanto íamos de carro até ao restaurante, passámos por uma casa lindíssima que estava à venda. Como a minha mãe a conhecia, perguntei se sabia o preço. A Maria Victória responde, muito assertivamente, “É muito cara, mamã, muito cara. Já viste aqueles números todos?” (Eram 2 números de telefone”)

28.2.20

Os pais e a escola

No meio dos meus privilégios, que reconheço e agradeço todos os dias, penso nas mães que não têm a sorte de ter a escola ao lado de casa ou de terem horários flexíveis. Essas mães que se exercitam muito mais do que eu só para colocarem os filhos na escola, ainda levam com a culpa de terem que os despejar lá até horas tardias. É triste, é, mas é a realidade de muita gente. E era bom que nos puséssemos no lugar do outro antes de criticarmos.

Este Carnaval, no desfile das escolas, vi muitas crianças com disfarces comprados - não há mal nenhum, mas denota pouco interesse da escola. Coitados daqueles miúdos cujos pais não podem comprar disfarces. Ou pior, coitados daqueles pais que tiveram de comprar disfarces, mesmo não tenho dinheiro. A escola, que deveria promover a igualdade de oportunidades, não deveria fomentar este tipo de competição entre os miúdos. A escola, já que participa de uma actividade desta monta, deveria trabalhar nos fatos juntamente com as crianças. Vi escolas com fatos simples, mas que causaram grande impacto e ficaram lindos. E vi outras escolas em que tiveram que ser os pais a fazer os disfarces. Provavelmente, à noite, quando já estão exaustos depois de um dia de trabalho. Verdadeiramente admirável! 

Esta conversa toda para criticar um pouco as escolas que impõem aos pais que participem nas actividades escolares. E, quando não conseguem, fica a crítica e consequentemente a culpa. Os meus pais nunca participaram em nenhuma actividade escolar minha. A minha mãe não ia faltar às aulas dela para me ir ver fazer isto ou aquilo. Nunca levei “trabalhos manuais” para fazer em casa. Eu acho que nunca os pais estiveram tão ocupados como hoje em dia, nem nunca estiveram tão envolvidos na escola como hoje em dia. Sim, é bom percebermos que podemos entregar os nossos filhos a uma instituição e que eles cuidam deles lá. No final do dia, são nossos de novo. Nem quero imaginar a culpa que alguns pais carregam quando na escola os repreendem porque não foram ao desfile ou à reunião para debater a cor do cartaz da primavera. As pessoas não se conseguem multiplicar. Exige-se, hoje, que os pais estejam em todo o lado e sejam bem sucedidos em todas as frentes. Lamento informar, mas não conseguimos. E, se virem alguém assim, provavelmente está a falhar nalguma área e a disfarçar bem. Na escola há representantes de pais. Usem-nos para se fazerem representar. 

Esta elasticidade que já achamos natural nos pais, mas sobretudo nas mães, está a deixar-nos esgotadas. Eu, com todas as regalias que tenho, estou exausta. A minha filha sai às 4, mas às vezes apetecia-me que ela ficasse na escola mais tempo para eu poder trabalhar mais um pouco ou até não fazer nada. Que bem que me sabe quando ela vai brincar um bocadinho para casa dos vizinhos. E, porque valorizo esses momentos, também eles vêm para a minha casa para aliviarem um pouco os pais.

Pais, mães, professores, educadores, família e amigos, sejamos todos mais solidários e menos críticos. Ganhamos todos com isso.