28.12.19

Esterilização de gatas

A minha gatinha só foi esterilizada aos 8 anos. O motivo foi apenas a minha ignorância. Quando a Tonicha e o Joaquim vieram para nossa casa foram acompanhados por um veterinário e marcámos as esterilizações para os dois, aos 9 meses. O Joaquim foi o primeiro, mas veio para casa cedo demais e fiquei perturbada. Ainda estava sob o efeito da anestesia e não foi uma coisa boa de se ver. Fiquei de tal forma chocada que resolvi poupar a gatinha a esse sofrimento, sabendo que a cirurgia dela seria mais agressiva. E pronto, achei que não era necessário tendo em conta que um deles estava protegido, não saíam de casa, estava tudo bem. Hoje sei que não estava tudo bem. Só a operei quando os cios se estavam a tornar insuportáveis. Hoje ela tem cancro da mama porque não a esterilizei quando devia. Hoje lamento profundamente a minha decisão. 

Deixo-vos informações importantes sobre este assunto que recolhi no www.hospitaldogato.com


O que é esterilização?

Esterilizar um animal significa impedir que ele se reproduza. A esterilização consiste em retirar cirurgicamente os ovários e o útero às fêmeas (nome técnico ovariohisterectomia) ou os testículos aos machos (nome técnico orquiectomia).


Porquê esterilizar?

Para além de ajudar a reduzir o numero de animais sem-abrigo (uma gata pode originar 20 000 gatinhos num espaço de 5 anos !!!) e de impedirmos indesejáveis comportamentos do cio (intensos miados, marcação urinária do território), a esterilização tem efeitos benéficos na saúde dos gatos:

– menos ferimentos derivados de lutas;

– menor risco de contrair doenças infecto-contagiosas (ex. FIV,FeLV);

– “fogem” menos (menor risco de serem atropelados ou de se perderem);

– diminui a probabilidade de desenvolver tumores mamários (principalmente se as fêmeas forem esterilizadas antes dos 6 meses de idade);

– previne em 100% o aparecimento de tumores do útero, dos ovários e infecções uterinas;


Com que idade devo esterilizar o meu gato?

No hospital recomendamos a esterilização aos 6 meses, quer para machos quer para fêmeas.

Em casos particulares pode-se realizar a esterilização mais cedo.


A minha gata deve ter uma ninhada antes de ser esterilizada?

Não. A ideia de ser benéfico para a saúde da gata ter pelo menos uma ninhada é um mito completamente errado.


A administração da pílula nas gatas é prejudicial?

Sim. A utilização da pílula acarreta vários efeitos

secundários graves e frequentes nas gatas. A

pílula nunca é uma opção escolhida neste hospital.


A esterilização altera o comportamento ou o desenvolvimento do meu gato?

Não. Os estudos recentes revelam que a esterilização não interfere com o crescimento normal dos gatos nem com o seu comportamento.


A cirurgia

A cirurgia quer do gato quer da gata é muito simples, com uma recuperação muito rápida. A cirurgia deve ser preferencialmente precedida de uma consulta, onde são explicados todos os procedimentos e onde é realizado um “check-up” pré-cirúrgico.


Que cuidados devo ter após a esterilização?

Na altura da alta, que será dada no próprio dia da cirurgia, ser-lhe-á explicado alguns cuidados muito simples que deve ter em casa, bem como a melhor alimentação para esta nova fase.


Se alimenta gatos na rua não se esqueça que a melhor forma de os ajudar é promover a esterilização


Fonte: https://www.hospitaldogato.com

26.12.19

Mastectomia da Tonicha

Hoje foi o dia. 
Dormi mal, só pensava na cirurgia dela. Ela anda tão carente... De manhã, fui deixá-la no Hospital Veterinário. Torcia para não haver muitas urgências para que ela pudesse ser operada logo de manhã. O HVTM é fantástico! É carote, mas temos um atendimento fantástico e sei que tratam bem dos nossos meninos. Nas outras clínicas acredito que também o façam, mas aqui os recursos são outros, há urgências 24 horas por dia e os animais ficam sempre acompanhados. Podemos visitá-los até às 20 horas e telefonar para saber notícias sempre. No meu caso, nem foi preciso porque às 11 da manhã já me estavam a ligar a dar conta do resultado dos exames.  Não havia sinal de doença nos pulmões, as análises ao sangue estavam normais, FIV/FELV negativo, rins a funcionar bem, só tinha tumores de um lado... só tinha os gânglios da axila aumentados e isso é um problema. Iam operar dali a 10 minutos.
À 1 da tarde já me ligavam de novo a dar conta da situação. Tinham tirado tudo, da axila também. Ela até já estava a acordar. Era importante que descansasse muito porque a sutura é muito grande e tem que estar quietinha. Desaconselham visitas por esse mesmo motivo. Ela pode ficar mais agitada com a nossa presença e não queremos problemas com a recuperação dela. Disseram que podia ir ao fim do dia, mas prefiro não ir lá chatear. A vontade é ir vê-la, mas é mais importante que recupere nestas primeiras horas. Quero trazê-la para casa depressa. *** Liguei agora para lá e disseram-me que está a recuperar bem. A cirurgia é muito complexa e até dolorosa e ela está a começar a arrebitar. Vão introduzir-lhe a alimentação e, com Deus a ajudar, amanhã já poderá vir para casa connosco. 

É Natal

Ainda não sei se gosto ou não do Natal. É certo que, desde que a Maria Victória nasceu, tudo é mais mágico e especial. A morte do meu avô, o divórcio dos meus pais e o meu casamento, tudo no período de 4 anos, vieram alterar a ordem estabelecida. Nada mais foi como era. Então, há sempre um sentimento agridoce, muita saudade, sempre alguém a faltar na mesa, apesar de toda a fantasia que faço questão de criar para a minha filha. Acho que hoje em dia, fruto do marketing comercial, começa-se a preparar o Natal muito cedo. Este ano, fiz a árvore e as decorações ainda em Novembro. Ainda me lembro de fazer no dia 1 de Dezembro e o meu marido já me chateava a dizer que era cedo... Tive que ceder à pressão porque agora as lojas já estão decoradas logo depois do Halloween. Cometi um grande erro em relação aos presentes de Natal. Fomos colocando debaixo da árvore, mas a Maria Victória ia começando a ter expectativas diárias. Todos os dias ia ver se havia alguma coisa nova, e o Natal já não é Menino Jesus e Pai Natal, mas sim presentes. Apesar de ter pedido a todos contenção, ela teve imensos presentes e foi uma excitação a abri-los. Não posso impedir que os nossos amigos e familiares lhe dêem presentes, claro. É sinal que gostam dela e de nós, mas foi exagerado, mais uma vez. No próximo ano, os presentes vão ficar escondidos até ao dia 24 de Dezembro e vou fazer uma seleção. Roupa, calçado e acessórios podem ser abertos, mas só vai poder abrir alguns brinquedos e jogos. Os restantes vão sendo dados nas semanas seguintes como forma de recompensa por ser boa menina. De um dia para o outro, tem várias bonecas novas e jogos e nem sabe ao que dar atenção, não dando atenção a nada. 

Para além da falta que várias pessoas me fazem, ainda tenho que lidar com este exagero de presentes que dá às nossas crianças a falsa sensação de que podem ter tudo. Isto não é Natal! Isto não pode ser o Natal! Recebi em minha casa 14 pessoas, foi uma ceia muito bonita e agradável e adorei partilhar a mesa com gente de quem eu gosto e que gosta de mim. Mesmo faltando gente, é esse Natal que quero recordar. Assim como a partilha de uma refeição maravilhosa no dia de Natal na casa dos nossos tios no Douro. É isto que me sabe bem... não são os presentes. Não sou hipócrita, gosto de receber presentes, gosto de saber que alguém pensou em mim. Não gosto do stress associado às compras dos presentes de Natal, da falta de tempo para isso, da falta de dinheiro e da obrigação em comprar. Isso não é Natal!

Amanhã entrego a minha gatinha aos cuidados dos profissionais do Hospital Veterinário para ser operada a um tumor mamário. Só consigo pensar nela, como vai estar assustada e como me faz falta... É clichê, não é? Mas o melhor que podemos desejar uns aos outros é mesmo saúde... https://drive.google.com/uc?export=view&id=1BKSq3_6ekOqNcjijCe1uxXGkoHpXxyXShttps://drive.google.com/uc?export=view&id=1Yrr5SbmljI00wSdDHqN0LNgGoXKvOEQw

23.12.19

Ganhar uns trocos extra. Por que não?

Já imaginaram irem a uma loja e serem pagos por darem a vossa opinião sobre o serviço? Pois é, há empresas que pagam pela nossa opinião isenta em diferentes sectores, até online. É muito rápido, muito fácil e uns trocos extra dão sempre jeito. Podem confiar totalmente porque já conheço esta empresa há 12 anos e faço parte da equipa. Já agora, vejam lá se me encontram neste grupo de pessoas. 
Há imensas tarefas disponíveis em todo o mundo, incluindo aeroportos. 
Quem se quiser inscrever, basta ir aqui ou descarreguem a App Simply Tasks. É muito interessante.
https://drive.google.com/uc?export=view&id=1QBkioAusLOxRn5-v8CcTuySnFbcawhJy

22.12.19

De volta aos blogues

Comecei a escrever blogs em 2010, o Facebook ajudou imenso ao arranque do segundo blogue e o Instagram anulou completamente os anteriores. Aquilo que eu sempre gostei de fazer, escrever, ficou completamente anulado. O apelo da imagem bonita, com filtros incríveis, o texto rápido, curto... sei lá, ninguém tem tempo para mais nada. Vamos ao Instagram e temos tudo lá. Até já temos imensa publicidade, likes pagos, seguidores pagos, é tudo (ou quase tudo) falso. No meio dessa artificialidade toda, penso se é esse legado que quero deixar à minha filha. Eu continuo a gostar do Instagram, do Facebook cada vez menos, e resolvi regressar ao início. Prefiro recolher-me e escrever, a olhar para vidas falsas e ficar a reclamar da minha. Por isso, de vez em quando, lá coloco uma fotozinha para animar a família, mas quem me quiser encontrar vai ser mesmo aqui. Sejam bem-vindos!

Ajudar sempre!

No final de setembro, estava eu a regressar de viagem do Algarve, recebo uma mensagem de uma amiga e colega de trabalho a pedir ajuda para rever um e-mail em espanhol. O e-mail era de uma amiga para um hospital espanhol e pediam informação sobre uma cirurgia a laser para tratar tumores cerebrais. O seu filho tinha sido diagnosticado com tumor no sistema nervoso central e era bastante severo. Havia também a possibilidade de um medicamento nos Estados Unidos, mas veio a informação que ainda não estava aprovado para humanos. Restava que algum hospital ou clínica o aceitassem para algum ensaio clínico. Tenho uma grande amiga que tem um laboratório no Instituto Einstein, em Nova Iorque, e pus a mãe do menino e a Renata em contacto. Logo a seguir, percebemos que ali não estava a resposta. A última esperança residia num tratamento na Alemanha. Precisávamos de traduzir os relatórios clínicos para Inglês com urgência. Tanto eu como a minha colega que me contactou com inicialmente somos tradutoras, mas aqueles textos eram quase ininteligíveis para pessoal não médico. Era impossível conseguirmos traduzir aquilo. Dado que conheço muitos médicos, pedi ajuda no Facebook para que alguém me ajudasse com a tradução. Responderam-me 2 pessoas. 2 pessoas, apenas. Fiquei desiludida, mas tive a ajuda que precisávamos. A pessoa que me responde nos 10 minutos seguintes à minha publicação foi a Paula. A Paula foi minha colega no ciclo e acho que já não a vejo pessoalmente há mais de 20 anos. Éramos muito próximas naquela altura, mas fomos para escolas diferentes e o afastamento foi natural. O Facebook tornou-nos novamente amigas, mas com pouca interação. A ajuda da Paula foi preciosa. Ela própria teve dificuldade em traduzir algumas partes e pediu ajuda a um colega que trabalhava no IPO.  A tradução foi feita, mas o menino já não foi para a Alemanha. No fim de Novembro, a céu ganhou mais uma estrela. Os pais, família e amigos perderam um ser especial que ainda estava no início da sua vida - tinha 13 anos. A nossa contribuição foi tão mínima, mas acho que ajudámos os pais a tentar tudo o que estava ao seu alcance. Disso não se podem lamentar. A Paulinha que eu conheci com 10 anos tornou-se numa médica fantástica. Daquelas que não deixam de ser médicas só porque não estão no gabinete. Daquelas que se preocupam em ajudar, seja lá de que forma for. Quando soube da partida do menino, quis deixar uma palavra de gratidão à Paula. E ela presenteia-me com uma história que eu não conhecia. Pelos vistos, no 5.º ano, num teste, eu disse-lhe como se escrevia T-shirt. Ela nunca esqueceu e achou que me devia uma. Que ajudaria sempre, mas que estava em dívida para comigo. 30 anos depois pagou a sua dívida. Uma dívida que eu nunca cobraria porque nem sabia que tinha sido tão importante para a Paula. A vida é cheia de surpresas. Eu não conheço os pais do menino, mas penso neles muitas vezes. Acredito que este Natal seja bem mais triste, acredito que a vida deles e dos irmãos mudou para sempre. Gosto de pensar no privilégio que temos por partilharmos a nossa vida com outras pessoas, em vez de nos focarmos em como é difícil viver sem elas. Cada dia é especial e todos os dias podemos fazer algo de especial por alguém. Nunca saberemos a importância que terá para essa pessoa. 


(Ainda devo uma palavrinha de agradecimento à minha amiga Renata. Acho que não a quis incomodar na sua bolha de amor - tem 3 filhotes maravilhosos (uma delas bebé) e acho que não precisava de saber que o menino não tinha sobrevivido)
https://drive.google.com/uc?export=view&id=1HJtdIXTPdHKnjGQPBwOoUOkMfSaML2Aa