17.3.20

Sem tele-trabalho

Sou trabalhadora em regime de tele-trabalho há mais de 12 anos. Antes disso, fui professora, formadora e tradutora. Desejei muito trabalhar a partir de casa e consegui fazê-lo para uma multinacional alemã. Em Portugal, ainda hoje é difícil encontrar empresas que apostem neste sistema. 
Durante 12 anos, pude levar o meu escritório para diversos sítios. O meu escritório estava no meu computador. Já trabalhei de férias, no carro, no café, em casa de amigos... mas sobretudo em casa. Dias e dias seguidos de isolamento voluntário, tal como se vive agora. Por isso, agora não me custa muito estar em casa. É o habitual para mim. 
O problema é que o distanciamento social que se vive um pouco em todo o mundo afectou a minha empresa. Neste momento, fui convidada a não trabalhar, até porque não há muito que fazer. Estar em casa e não trabalhar é algo que é novo para mim. Limpo, arrumo, entretenho a criança, mas sempre fiz tudo isso, em simultâneo com o meu trabalho. Avizinham-se tempos complicados. Ainda não sei como gerir isto... Se alguém precisar que eu ajude em alguma coisa, estou ao vosso dispor. 

16.3.20

Quarentena - Dia 4

Ontem, domingo, chuva e frio lá fora. Lembrei-me de fazer bolachas.
Pesquisei uma receita simples, porém deve ser hiper calórica. Prometo não repetir a receita nos próximos tempos e faço umas bolachas mais saudáveis. Estas são muito saborosas.

250 g farinha
125 g manteiga sem sal
125 g açúcar
1 ovo
1/2 colher de café de fermento em pó

Colocar todos os ingredientes no copo e programar 20 segundos, vel. 6
Programar 1 minuto, vel. espiga
Estender a massa com o rolo e com os cortadores moldar as bolachas
Colocar as bolachas num tabuleiro, com papel vegetal, e levar ao forno (pré-aquecido) a 200°, durante 8 minutos





14.3.20

Mad Men


Durante anos, vi esta série ser premiada e os seus actores a desfilarem pelas passadeiras vermelhas. Por algum motivo, nunca me seduziu. E tinha tudo para me seduzir porque as décadas de 50, 60 e 70 fascinam-me.
Ao longo de 7 temporadas (2007-2015), podemos acompanhar os funcionários de uma agência de publicidade de Nova Iorque, na Madison Avenue. Daí o nome Mad Men. Não vemos apenas a parte profissional, mas também a pessoal. Temos a oportunidade de ver algumas transformações sociais e políticas ao longo de toda a década de 60. Não sei o que me encantou mais, se o rigor histórico, se o guarda-roupa, se o enredo, se os actores... É tudo espectacular! Bem, os homens andavam sempre muito aprumados, muito bem penteados, fumavam e bebiam imenso. Ao avançarmos para meados da década de 60, vemos algumas personagens masculinas a deixar crescer o cabelo e a barba. Já as mulheres tinham roupas absolutamente fantásticas! Os cabelos estavam também muito arranjados, mas a evolução de estilo é bem mais visível. No início dos anos 60, havia ainda muita inspiração dos anos 50, mas logo se começam a ver as saias a diminuir de tamanho, os sapatos são substituídos por botas de cano alto e os cabelos curtos passam a ser comprimidos. Também o design interior das casas não é deixado ao acaso. Vê-se que houve uma pesquisa grande para fazer corresponder o ano à tendência correspondente. 
O que mais me impressionou, no entanto, foi mesmo o facto de retratarem sem quaisquer pudores temas muito fracturantes para a sociedade actual. Tudo a bem do rigor histórico. Havia sempre álcool e tabaco em cima da mesa. O sexismo está sempre presente e incomoda bastante ver como as mulheres eram (e continuam a ser, apesar de muito menos) usadas. Usam palavras como “nigger” a torto e a direito, num racismo completamente exibido... o adultério, que era o prato do dia, o anti-semitismo, aborto, adopção... Imperdível! 


9.3.20

Análises ao sangue

Hoje, levei a Maria Victória a fazer análises ao sangue. As primeiras vezes são sempre assustadoras. Por isso, levei-a a um laboratório onde sei que seria bem tratada e acolhida - Unilabs Pioledo, em Vila Real.
Tinha-lhe mostrado uns vídeos no YouTube para desmistificar as agulhas e apareceu um de uma menina que fez a colheita de sangue sem chorar, mas tinha os lábios pintados. Também quis pintar e não lhe consegui recusar. Claro que o objectivo não era convencê-la a não chorar, só queria que fosse tranquila.
Não podíamos ter sido mais bem recebidas, toda a gente foi fantástica e sensível ao facto da Maria Victória estar muito receosa. Aplicaram-lhe uma pomada anestésica, mas aquilo não serviu de muito. Doeu-lhe e chorou. 
Gostava que, no final, tivessem alguma coisa preparada para “premiar” os pequenos corajosos para além dos habituais chupa-chupas. Sei que é discutível este tipo de gratificação, mas acho mesmo que teria sido engraçado ter recebido um Diploma de Coragem, ou algo do género. Acho mesmo que foi muito corajosa e portou-se bem melhor do que eu. E do que o pai. Por isso, amanhã vou imprimir-lhe qualquer coisa para que não se esqueça.


Salvar o Mickey

Há mais ou menos 3 anos, viemos morar para o campo. Não quisemos jardim para não termos grande manutenção. Ficámo-nos pela relva, que já dá trabalho que chegue, 2 oliveiras e 1 limoeiro - Minnie, Clarabela e Mickey. Estas árvores não requerem grandes cuidados, só uma poda de vez em quando e até já dão fruto. É fantástico colher um limão directamente da árvore! 

Este inverno, já com o limoeiro carregado de limões, alguns ramos partiram devido ao vento forte e as folhas começaram a secar. Não gosto muito destas tarefas agrícolas, mas nem pensar ficar sem o meu querido limoeiro. Com a ajuda da Maria Victória, estamos há 3 semanas a fazer um tratamento específico para citrinos. Vamos lá ver se conseguimos salvar o Mickey!


2.3.20

Fazer o trabalho parecer fácil

Se há coisa que as mães fazem bem é fazer o seu difícil trabalho parecer fácil. Nem sequer falo de mim, apesar de me estar a tornar cada vez mais MÃE, em todas as suas vertentes. As mães não são apenas cuidadoras e máquinas de multiplicar amor pelos seus filhos. As mães administram toda uma casa, gerem emoções, frustrações, ensinam, limpam, cozinham, tratam... O mais notável nem é serem mestres do multitasking. O que mais impressiona é acumularem funções e deixarem parecer que não lhes custa nada. 
Eu tenho uma dessas mães. Agora está reformada, mas enquanto foi professora nunca descurou o seu papel de CEO doméstica, excelente mãe e excelente professora. E só agora me apercebo do esforço que parecia não existir, mas devia ser tão grande... Eu também tenho um trabalho a tempo inteiro e também  tenho também um trabalho em casa que ninguém vê quando é bem feito. Porque quando é mal feito, aí toda a gente repara.