8.12.21

O tempo

Uma das coisas mais preciosas da vida é o tempo e o que fazemos com ele. Eu valorizo muito o meu tempo e valorizo ainda mais o tempo que os outros me dedicam. 

Se, na maior parte dos dias, não sou dona do meu tempo, quando tenho algum tempo livre, gosto de o ocupar da forma que me apetece. É um luxo, sim! E o meu tempo livre é tão escasso que não reajo muito bem quando questionam as minhas opções. 


A única coisa certa na vida é que um dia a vida acaba e não sabemos quando esse dia chegará. É motivo suficiente para reflectirmos onde andamos a investir o nosso tempo e com quem. 




6.12.21

Maquilhagem


Ontem contava a uns amigos a história desta foto, quando a Maria Victória tinha 3 anos.


Estava a prepará-la para dormir e deixei-a na casa de banho para ir fazer qualquer coisa à cozinha, provavelmente o leitinho.


O certo é que demorei um pouco mais do que devia e deu-lhe tempo de se pôr nestas figuras. 


Agarrou no eyeliner, que eu nunca consegui domesticar, e fez da sua carinha uma tela para uma pintura abstrata. 


“Ai, que engraçado e tal, vamos lá tirar isto!” 


Procurei desmaquilhante e descobri que não tinha. Não tinha como tirar eyeliner da cara da minha filha.


Entretanto, lembrei-me do óleo de côco e de todas as suas valências. Consegui remover tudo com o óleo de côco e depois levei-lhe a cara.


Desde então certifico-me de que tenho sempre desmaquilhante (ou óleo de côco em casa). Não é por mim, claro, que raramente me maquilho, mas pela pré-adolescente que agora tem 7 anos. Se quer maquilhar-se que saiba a importância de se desmaquilhar, também! 


21.11.21

Do trabalho

São várias as vezes que a minha filha me ouve dizer que me quero reformar. Já ando a dizer isto desde os 20 e tal anos, quando comecei a dar aulas e a trabalhar pela primeira vez. 

Gosto de trabalhar, da independência que proporciona, mas também me deixo engolir pelo zelo algo desmesurado. Hoje em dia, já não estou no ensino mas a minha cabeça anda muito cansada, quase esgotada. Não só pelo trabalho, mas também pelas rotinas do dia-a-dia. É nesses dias piores que ela me ouve reclamar, que estou farta do trabalho, que me quero reformar. E eu, que ainda tenho mais de 20 anos para reclamar, acho que lhe estou a dar a ideia de que o trabalho é opcional. E por que digo isto? 

Hoje ela dizia-me (diz-me isto muitas vezes) que queria ser adulta, como eu. Expliquei-lhe que a fase mais bonita e também a mais curta é a infância, que não tenha pressa de crescer. Que ser adulto é mais chato, temos mais responsabilidades e temos que trabalhar. 

Respondeu-me que quer ser desempregada. DESEMPREGADA. E diz-me isto a sorrir, como se me quisesse descansar. 

Minha filha, espero que sejas desempregada por opção e nunca por falta de alternativas. Espero que nunca tenhas que te sentir miseravelmente infeliz num emprego ou trabalho apenas porque precisas de dinheiro para viver. Espero que sejas tão feliz a trabalhar que sintas que não o estás a fazer. 

Tenho que mudar o discurso cá por casa. Apesar de ter achado imensa graça ao “desempregada”, apesar de estar sempre a dizer que quero ser “reformada”, sinto que tenho que ter mais atenção à mensagem que passo com as piadas que faço. 


Gatos

Estes dois bichanos foram esterilizados há 1 mês e meio, mais ou menos. Acabaram de fazer 6 meses e estava combinado com a associação onde os fui buscar que me responsabilizaria pela sua esterilização e cuidados, em geral. Estão vacinados, desparasitados com regularidade e são a alegria da casa, juntamente com outras alegrias que aqui vivem.

Claro que não é apenas um mundo fofinho e cheio de ronrons e fotos bonitas.

Compromisso. Um animal é um compromisso para todos os dias. É mais ou menos como um filho. Não dá para o desligar ao fim-de-semana ou nas férias. É preciso saber antecipadamente se há espaço nas nossas vidas para um animal e se há retaguardas de apoio para quando não podemos cuidar deles. 

Gastos. Dá despesa ter um animal. Não é um gasto do outro mundo, mas é pode ser um peso financeiro. Se for um tutor responsável, saiba que é preciso vacinar, desparasitar, colocar chip, esterilizar e depois ter os cuidados regulares de alimentação e higiene. Já para não falar que pode haver problemas de saúde e é preciso estarmos lá para eles.

Acidentes. São animais, fazem asneiras. Se têm um museu em casa talvez não seja a melhor ideia levar um animal paga casa. Eles sujam, podem derrubar coisas, roer (a minha gata rói roupa!) objectos, destruir cortinas, atacar a comida, etc. Cada animal é único e até pode não fazer asneiras, no entanto é bem provável que o façam, sobretudo quando são mais pequenos.

Só falo nisto porque há pessoas que, quando percebem o peso que estes 3 factores têm nas suas vidas, decidem abandonar os seus animais. É preciso pensar antes!

Na associação onde adoptei os meus bichanos, eles vão acompanhando os bichinhos. Só os entregam no veterinário e têm um protocolo de esterilização a baixo custo. Só fazem adopções responsáveis. A probabilidade de abandono é reduzida. 

Os meus bichanos são “rafeiros” e são maravilhosos. Escolhi o gatinho pelos olhos meigos que tinha e tem a cauda partida. A gatinha é preta e branca e, pelos vistos, são o padrão menos adoptado porque são considerados mais ariscos. Não podia ser mais meiga. 

Espero ter estes filhotes comigo durante muitos anos. Os gatos acalmam, reduzem a nossa ansiedade e são uma excelente companhia. Em troca, tenho que lhes dar de comer e limpar a areia diariamente. Parece-me justo. 




Hello, again!

Já fui uma blogger com potencial de influencer. Fiquei-me pelo caminho. 

Nunca levei a coisa a sério porque só escrevo quando me apetece e quando tenho alguma coisa para dizer. 

Entretanto, deixei de ter tempo para escrever porque estava a viver o maior amor da minha vida. Escrever por obrigação, para alimentar curiosidade de seguidores, não! 

Continuo a gostar de escrever mas só me lê a família e amigos. Precisamente quem não quero que me leia. Não é por mal. É que há sempre alguém que acha que escrevo para mandar um recado, que pensa que o faço por este ou aquele motivo e, na verdade, só escrevo para mim. Gostava muito mais do anonimato de há mais de 10 anos, de quando comecei na blogosfera.

Como agora ninguém lê blogs, parece-me o local perfeito para me refugiar novamente.


28.9.21

Pai de uma criança comum

Sim, leram bem. Eu sou o pai de uma criança comum, normal, média. Por comum quero dizer simplesmente que o meu filho é o aluno médio, médio nas notas, médio nos desportos e nas actividades extracurriculares. O que há de especial nele, então? NADA, de acordo com as normas da sociedade e da escola.


Muitas vezes perguntam-me: “O seu filho deve ser bom a matemática e na escola, em geral. “. Eu simplesmente digo não, não é. Ele está na média. Tenho vergonha de dizer isso? Não! Devo mentir que ele é o melhor em algo que ele não é, na frente dos outros? Definitivamente, não.


O meu filho é aquela criança comum que as pessoas não compreendem porque não está no topo nem por baixo. As pessoas não percebem o seu sorriso doce, as conversas engraçadas, os abraços apertados, a personalidade amigável, o comportamento gentil, os modos suaves, a natureza prestável porque ele é APENAS uma criança normal.

 

A escola e a sociedade celebram as crianças que são as maiores pontuadoras no desporto e nas atividades extracurriculares, o que com razão deveriam.


No meio disto tudo, o meu filho médio, que é um espectador e aclama os seus amigos de todo o coração, passa despercebido. O seu amor pelo desporto (mesmo sabendo que não será selecionado para a equipa da escola), o seu amor pela música (mesmo sabendo que não será seleccionado para o coral da escola) nunca diminui. Ele faz isso tudo para se divertir, em vez de competir.


Sou um pai que não é exigente com ele apenas porque não tem notas máximas? Sim, sou rigoroso até certo ponto e perdi a calma muitas vezes no passado. As suas palavras atingiram-me mais profundamente quando o meu filho de 10 anos me perguntou: "Pai, não me respeitas"?


Quantos de nós pensamos que devemos respeitar as crianças? Nós, adultos, exigimos o nosso respeito a cada momento da nossa vida. Por que não uma criança?


Umas crianças falam de prestar provas, de entrar em competições importantes, mesmo com a tenra idade de 10 anos. O meu filho normal fala sobre viajar pelo mundo, conhecer novas pessoas e comer diferentes culinárias.


O meu filho normal pode ou não tornar-se num médico, astronauta, cientista. Mas, ele de certeza crescerá para ser uma boa pessoa que espalhará alegria.


Por último, mas não menos importante.


Observe a criança normal, média, comum. Tudo o que essa criança quer é um sorriso ou uma palavra amável de nós, adultos, por apenas ser ela própria para lhe dar a garantia de confiar no mundo.


Cada criança é diferente, assim como cada estilo parental.



Traduzido e adaptado do inglês.
Autor desconhecido